TEXTO CRÍTICO
Jornalismo de Opinião
A Liberdade é a razão de ser da criação deste espaço online, tão inoportuno e contracorrente, visando a publicação de artigos críticos. Defendemos a Liberdade
tanto no aspecto pessoal quanto no econômico, o que nos afasta de grande parte
da intelectualidade “ progressista “ com todo seu amor pelo Estado e pelos tiranos,
seu autoritarismo no trato com a Cultura, seu corporativismo, seus ataques aos livre-pensadores. Não raramente, grande parte desses ideais progressistas estatizantes
representam o maior retrocesso que a humanidade já conheceu, sob a máscara da “ justiça social “. Por isso, somos contra as diversas modalidades de populismo, antiamericanismo, anti-liberalismo, nacionalismo doentio, antissemitismo, anacronismo marxistóide e tolerância com o totalitarismo desse pensamento único esquerdista, tão presente na grande Mídia. Não abrimos mão da total independência de pensamento, dos valores democráticos da civilização, da freedom of speech, assim como do combate à todo tipo de terrorismo e destruição dos valores ocidentais.
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Os textos assinados não representam necessariamente
a opinião do TEXTO CRÍTICO.
Editor : Antonio Querino Neto Jornalista MTb 14.401
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“ Nossa atitude é antropofágica. Não somos covardes para ter medo do que vem de fora “ Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas de São Paulo, explicando no Caderno 2 do Estadão a bem sucedida realização de um Halloween cultural naquele espaço da Av. Paulista.
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November 4, 2009
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P O L Ê M I C A
O CASO POLANSKI
por Nivaldo Cordeiro
É irrelevante julgar se Polanski deve
permanecer ou não culpado; muito mais
relevante é perguntar se o monstro estatal
deve ter tanto poder. Eu digo: Não !
O caso do diretor Roman Polanski, que tinha mandado de prisão de trinta e dois anos atrás, por estupro, e que foi capturado na Suíça, leva-nos a refletir. Um caso a se pensar. Resgato aqui dois momentos do filósofo Luiz Felipe Pondé, publicados ambos na Folha de São Paulo, para nos ajudar a meditar sobre o assunto. Na última segunda feira, 28/09/2009 ( No Sinai ) o filósofo paulistano fez uma reflexão sobre uma das mais belas datas do calendário judaico, o Dia do Perdão, do qual resgato o seguinte parágrafo:
" Deus não precisa perdoar ninguém porque Ele não precisa de ninguém. Este é o personagem. Quando o povo trai a aliança depois de tudo que Ele fez, Ele poderia simplesmente destruir tudo. Fosse Ele apenas justo, o sol pararia de brilhar. A ideia que Deus seja misericordioso nasce do fato que Ele nos criou e é paciente conosco sem precisar sê-lo. Daí a afirmação comum na Bíblia hebraica de que Ele carrega o mundo na palma de Sua mão enquanto nós somos uma sombra que passa "
Justiça e perdão, os dois lados de Deus. Nós, os cristãos, aprendemos que o amor de Deus é imenso, a ponto de Ele mesmo ter-se feito carne para nos salvar dos pecados. O cristianismo leva a idéia do amor divino às últimas conseqüências, que supera a sua justiça. Na segunda feira anterior a crônica versou sobre a problemática do mal, a partir do filme O Anticristo, do cineasta Lars Von Trier. A conclusão surpreendente de Pondé: "O 'Anticristo' é um filme sobre o mal. Com o mal não se brinca, respeita-se. Não se faz terapia com o mal, esse alerta aparece inúmeras vezes na boca da personagem feminina, que pressente sua tragédia. É ridícula a arrogância do marido diante do processo que está em curso na alma de sua mulher. O filme se abre com a queda do filho para a morte enquanto o casal goza deliciosamente. Ao final, saberemos que ela, de olhos abertos em meio ao orgasmo, vê o filho saltar para a morte, mas opta pelo orgasmo. Mas o que está de fato acontecendo com ela? Seria um "luto normal", como seu marido terapeuta supõe? Não, a morte do filho é a consequência e não causa de sua agonia".
O mal e o perdão, os delitos e as penas. O que dizer sobre Polanski? Fui ler sobre os fatos. Uma torpeza praticada pelo diretor. Uma mãe carreirista leva sua filha de 13 anos para o covil dos lobos de Hollywood. Parece o enredo do filme de Lars Von Trier: o cordeiro inocente entregue à sanha do lobo mau. Quando a mãe cruzou aquela porta para deixar à filha, sozinha, com homens adultos e devassos, fez a escolha pelo mal, em troca da incerta e difícil carreira no cinema para a jovem. Consciente ou não, seu comportamento foi muito semelhante ao do personagem do filme. Que pena ela mereceria, a mãe, por ter lançado a filha na senda dos perigos ? Uma maior do que a do cineasta, o autor material do crime, quer me parecer. Ao deixar a menina desprotegida ela selou o destino da filha. É inevitável ver aí a maldade do conluio secreto dos dois, contra a menina inocente.
Polanski se comportou rigorosamente dentro do esperado. Abusou da inocência da menina e praticou crime bárbaro, tipificado no Código Penal. Foi sentenciado e fugiu. Podemos condená-lo pelo crime, não pela fuga, todavia. A polícia e a Justiça dos EUA falharam miseravelmente ao permitir que escapasse. Não de pode recusar ao apenado o recurso da fuga, sempre esperada. Depois de trinta e dois anos veio a captura tardia. Coloca-se a questão: não teria a pena, por algum critério de Justiça, caducado? Um homem de 76 anos não é o mesmo de 44 anos. Faz sentido a prisão agora ? Além dessa interrogação, temos que colocar o fato de que a Justiça estatal, com tentáculos espalhados em escala mundial, precisa ser questionada. Se nos EUA as penas não prescrevem, em outros países, como aqui no Brasil, acontece o contrário. Qual é a Justiça mais justa ? De novo, o limite da lei estatal e a proporcionalidade e a racionalidade entre o delito e pena. E a sua temporalidade e tempestividade. E a sua circunscrição geográfica. E seu valor educativo.
O Leviatã mundial
Estou convencido de que o poder de polícia estatal, com tentáculos mundiais, não fará bem aos homens, mas apenas o mal. Não se aperfeiçoa os homens como tal e nem se espanta o mal do mundo por essa via, mas se cria um instrumento que elimina as liberdades. É a ditadura policial mundial que se constrói, a meu ver. É uma maneira de consolidar o Governo Mundial, algo muito mais amplo e perigoso do que não se pegar um criminoso qualquer, evadido. Sob esse ponto de vista há que se questionar fortemente a captura do cineasta. Se fazem isso com alguém da estatura de um Polanski, o que estará sendo feito com um homem comum? O peso do Leviatã mundial está caindo sobre as pessoas também na esfera judicial com toda a força.
Poderíamos adotar o pessimismo agostiniano, de que todos nós somos culpados e nenhuma pena é grande o bastante para reparar o pecado original. Mas a isso contraponho que a própria existência já é uma prisão e essa vida é, ela própria, um vale de lágrimas, prescindindo do agravamento da exorbitância do Governo Mundial. A Justiça estatal não passa de quimera, quando muito um castigo adicional. Viver é cumprir pena perpétua, a dor de viver não é pequena, o mal está em cada esquina. Já nos chega os Estados particulares e suas Justiças corruptas no âmbito dos poderes nacionais. Poderíamos raciocinar como Santo Agostinho: " Se até Daniel pediu perdão pelos pecados..." Ora, isso pode levar ao cinismo mais grotesco. O fato é que me desagrada enormemente esse crescimento do poder de polícia do Governo Mundial, mais um instrumento de ameaça às liberdades do que propriamente de realização de Justiça. É o que se revela com toda a força e é preciso se entender as conseqüências políticas do fato.
Não é um caso comum, o de Polanski. A prática do mal, a justiça, o perdão, está tudo entrelaçado nesse destino trágico. Mas há também a sua dimensão política, que não pode ser esquecida: a relação do cidadão isolado com os poderes constituídos. Há muito deixei de acreditar que a tenhamos qualquer justiça estatal nesse mundo, esse fabricante de injustiças em escala industrial. Temos mesmo é que cuidar para que o Leviatã não seja o instrumento a esmagar a todos nós, a troco da manutenção da ordem. É irrelevante julgar se Polanski deve permanecer culpado; mais relevante ainda é perguntar se o monstro estatal deve ter tanto poder. Eu digo: Não!
BLOG DO NIVALDO

O cineasta Roman Polanski em sua juventude ao lado
de Sharon Tate em " A Dança dos Vampiros "
Posted at 8:31:02 pm by TC
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OS " DOIS LADOS " DA NOTÍCIA E O SENSO COMUM
Estupro e objetividade jornalística
por Paulo Ghiraldelli Jr.
Preocupados em ter " ibope ", jornalistas estão cada vez mais escrevendo o que a maioria do senso comum já apóia, manipulando e adulando as fantasias e hipocrisias do leitor.
Jamais saberei se o cineasta Polanski estuprou ou não Samantha. Portanto, não tenho nenhuma opinião sobre o caso, se ele é ou não culpado. Sei o que todos sabem e que, enfim, podem saber: principalmente que, agora, 32 anos após o caso, Polanski está no drama de ser extraditado ou não para os Estados Unidos, para responder à acusação de crime – sexo com menor, ao menos. Assim, meu texto é só indiretamente sobre essa notícia. O que escrevo é diretamente relacionado ao modo como o jornalismo pode falar de uma notícia desse tipo.
Em uma matéria assinada por Sérgio Augusto para o "Aliás", de O Estado de S. Paulo em outubro último, o caso é contado sob a regra da objetividade jornalística: informar antes do que deformar ou, mesmo, formar. Sérgio Augusto consegue isso ? A técnica é simples: fala-se de quem está a favor de Polanski e mostra-se as suas razões, fala-se de quem está contra Polanski e mostra-se as suas razões. O jornalismo acredita que há dois lados em uma notícia. Alguns jornalistas acreditam que pode haver mais que dois lados, mas raramente eles vão além de dois lados. Pois a noção de objetividade do jornalismo está atrelada a essa idéia dos dois lados. Tendo dois lados e tendo um bom número de dados, datas e nomes, o texto jornalístico tem o aval do editor. Uma boa parte da sociedade escolarizada não ultrapassa esse patamar de compreensão do que é "contar uma notícia".
Nenhum filósofo acredita que uma história tenha só dois lados e muito menos pode acreditar que a noção de objetividade se faça a partir dos critérios acima. Há um universo entre uma linha preenchida e outra linha preenchida em um texto. Milhões de pensamentos estão ali, por parte do leitor, induzidas por duas linhas do escritor. E nisso, verdadeiramente, está a notícia. Ela diz mais do jornal, do jornalismo, do autor e do contexto pelo qual passa o jornalista do que do caso contado propriamente dito. Na verdade, quando se lê jornal pela ótica da filosofia – um exercício deveras gostoso e útil – o que se fica sabendo é o que efetivamente se pode saber: o autor e o jornal, e menos o caso. Pego um trecho para mostrar o que quero dizer:
"A exemplo de Polanski, Chaplin tinha o seu lado Humbert Humbert assaz saliente (e bota saliente nisso). Não podia ver uma Lolita taludinha, que também a elegia luz de sua vida e labareda de sua carne. Aos 29 anos envolveu-se com uma garota de 14 anos, Mildred Harris, que dele ficou grávida e deu à luz um monstro natimorto. Chaplin engravidaria outra menor, Lillita McMurray, de 16 anos, descuido que o levou aos tribunais e à pretoria. Lillita, conhecida na tela como Lita Grey, deu a Chaplin seus dois primeiros filhos. Ao cabo de três anos, divorciaram-se. Lita era chave de cadeia. Instruída pela mãe, fez o que pôde para depenar Chaplin. Conseguiu enchê-lo de cabelos brancos, interromper por um ano a produção do filme O Circo e embolsar mais de meio milhão de dólares, uma fortuna ainda mais vultosa em 1927." (grifo meu)
Polanski tinha 43 anos quando "sodomizou" (fez sexo anal, creio eu, se entendo bem os jargões americanos, repetidos por Sérgio Augusto) Samantha, que tinha 13 e estava embriagada na casa de Jack Nicholson. O que Sérgio coloca acima, no destaque, sobre Chaplin, não tem nada a ver com a história. Mas ele coloca. Antes ele havia dito que a maioria das pessoas querem ver Polanski extraditado, e que muita gente se move assim por achar que Hollywood quer ser uma ilha imune à lei. E isso porque várias personalidades de Hollywood estão defendendo Polanski. Ele diz isso e, no decorrer do artigo, mostra um caso que, apesar de terminar moralmente favorável a Chaplin, não precisaria estar no texto e, se está, para ilustrar a notícia e mostrar que Hollywood realmente é idiossincrática diante da lei, não deixa de usar uma terminologia notável.
Um trança-pé no leitor
Que terminologia ? Esta: "não podia ver uma Lolita taludinha". Logo abaixo, em passagem que não vou citar inteira para não chatear o leitor, Sérgio Augusto usa frases como "Samantha Geimer, a ninfeta de Polanski". Ora, qual a razão de Sérgio Augusto não usar expressões como "menina" ou "garota" ou " menor " ? Estilo ? Quer escrever algo como jornalismo literário picante ? Picante, no jornal O Estado de S. Paulo, um jornal cujos hábitos políticos vão do PSDB ao DEM ? Ou trata-se de uma tentativa de, usando tal terminologia, nas entrelinhas quebrar a objetividade posta formalmente ? Mostram-se os dois lados e cumpre-se assim o ideal formal de objetividade do jornalismo, ao mesmo tempo em que se dá um trança pés no leitor, induzindo-o a julgar – principalmente em se tratando do leitor típico do Estadão – Polanski no sentido do que a maioria já vem julgando. Com isso, cumpre-se a formalidade e, ao mesmo tempo, o texto cai nas graças do leitor.
Não posso descartar essa hipótese. Os jornais estão em crise. E os suplementos que viram blogs, que aparentemente poderiam salvar ao menos os jornalistas ( se não os jornais ), levam a uma competição ferrenha. Muitos jornalistas blogueiros, preocupados em ter " ibope ", estão cada vez mais escrevendo o que a maioria do senso comum já apóia. Assim, talvez Sérgio Augusto seja nada além de mais um jornalista que caiu nessa máquina de moer carne do jornalismo atual. Mas pode ser, também, que Sérgio Augusto, ele próprio ( como seus leitores que tenderiam a condenar Polanski ), tenha um extremo prazer em escrever coisas como "Lolita taludinha" e "ninfeta". Não estaria ele tendo uma ereção, em sua casa, quando em frente ao computador escreveu isso? Pode ser que não uma ereção motivada pela imagem da menina, mas por imaginar que homens conservadores leriam aquilo e, ao mesmo tempo que condenariam Polanski (da boca para fora), também possam ficar com ereção. Assim, Sérgio Augusto, num misto de desejo homossexual com desejo heterossexual, não estaria somente tentando induzir o leitor a uma posição, mas efetivamente preso à determinação de seus gostos e instintos. Ele próprio seria, dessa forma, um daqueles que Polanski acusou quando disse que "todos os que o condenavam queriam fazer sexo com garotinhas". Aliás, sabemos bem que, acima dos 40 anos, o desejo do homem de fazer sexo com meninas cresce muito, até pela razão de que, para as meninas, esses homens se tornam muito atrativos.
Samantha tinha 13 anos. Não era virgem e estava embriagada. Não reclamou e, hoje em dia, diz para esquecerem o caso. Mas Sérgio Augusto não quer nem pensar em falar de Samantha hoje. O interessante é tornar Polanski mais velho, de cabelos brancos como está hoje, e tratar Samantha como se ela fosse, ainda agora, a "ninfeta" ou a "Lolita taludinha". Ele fala de Polanski agora, e de Samantha no passado. O interessante é ressaltar o lado bizarro. É importante por na jogada o que pode ser feito para que a notícia provoque a masturbação dos homens e a gritaria (às vezes invejosa) das mulheres, ambos sendo os que estão no grupo dos que condenam Polanski e querem a extradição.
E luta pela audiência cria assim o jornalismo de hoje. Pessoas que possam espelhar o senso comum porque elas próprias estão imersas neste senso comum e, enfim, se acham capazes de manipulá-lo, podem se dar bem no jornalismo atual. Um médico doente é o melhor médico, pois sendo paciente, conhece como ninguém o mal. Um jornalista que tenha todos os vícios do senso comum é a pedida do momento. Antes, o jornalismo brigava com o leitor, hoje o adula e, enfim, em alguns casos, chega a atuar como a revista Sexy ou Playboy – ajuda na masturbação diária.
Blog do Ghiraldelli
Posted at 8:12:32 pm by TC
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